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18 de novembro de 2013

Quando a mãe grita parte II e clube de leitura

 "Quando a mãe grita", não é o melhor tema para abordar com os pais, principalmente, com as mamãs...

E ter na mesma hora do conto mães e filhos, nem sempre resulta bem, principalmente quando expomos sentimentos, as ansiedades e o medo que sentimos quando a mãe grita... quer sejamos filhos ou mães...porque nenhum filho gosta de ouvir a mãe gritar, mas também não há mãe que goste de gritar...

mas por vezes gritamos e não quer dizer com isso que gostamos menos ou que vamos passar a gostar  

menos dos nossos pequenotes... penso que isso é uma das ideias principais a absorver... e é bom que pais e filhos falem sobre isso... talvez seja tão importante que a mãe pinguim peça desculpa ao seu pinguim pequenino...

pois assim que pedimos desculpa... parece que a porta pesada d atristeza fica leve como uma pena e os nossos medos e ansiedades são expostos para serem confortadas...  

                                              
... não há melhor desbloqueador para o coração...

E quando conseguimos abrir o coração a hora do conto transforma-se no momento mais partilhado de afetos... onde todos falamos sem medos, sem receios e sem desconfiança... e assim todos procuram as partes do corpo do pinguim e todos por fim o constroem... momento quase de catarse e libertação.


No clube de leitura onde tivemos uma surpreendente assistência, começámos com um aperitivo "È um caracol" e só depois passámos à Contradição humana de AFonso Cruz e foi emocionante descobrir o que é uma contradição.

Saudações encantadas!

16 de outubro de 2013

A queda de um anjo de Afonso Cruz

Para mim a leitura sempre foi,e ainda é, um momento solitário de pura diversão egoísta ou de introspecção profunda e quase metafísica. Gosto de ler, porque sinto que a cada leitura desafio a minha estrutura humana, gosto de ler porque é uma forma de me conhecer. Gosto de ler porque sim, porque me sinto bem.


Agora tentarei superar um desafio: partilhar! Porquê? simplesmente porque sim.

Hoje ao deambular por páginas virtuais tropeçei neste título " A queda de um anjo", mas o que me fez parar foi o seu autor Afonso Cruz. Aquele nome que faz parte da lista da construção da biblioteca que quero ter (espaço em construção contínua). Aquela sensação única de tranquilidade só por ver o seu nome ou os seus títulos na vertical.

12 páginas é o tamanho físico deste conto, mas é infinito o tamanho das emoções e recordações que me provocou. Leiam peço-vos são apenas 12 páginas directas e muito «rentes à carne». Podia falar-vos da inquietação que se sente ao perceber a ligação estranha de um casal. Porque será que tantas vezes ficamos agarrados e dependentes daquilo ou de quem nos faz mal e temos a tendência quase fatalista de afastar quem nos quer bem? Nunca entendi bem o ditado do povo: «Há pessoas que nem com o bem podem.»

Ou podia falar-vos da  lucidez das memórias quando estamos perto do fim. Não deixa de ser impressionante que independentemente dos anos que tenhamos vivido no Fim basta uns segundos ou até breves minutos para resumirmos a nossa existência. Ou fomos Criados para viver muito mais tempo. Ou começarmos a envelhecer e até a morrer cedo de mais.

O conto é um bis como os refrões das músicas, quando lemos a primeira vez é inevitável repetir.

Mas partilhar a leitura não deverá ser um exercício de compreensão ou de análise das personagens como tanto gostam alguns de fazer.

A Ema de Jesus fez-me recordar a última vez que estive com o meu avô antes de ele morrer. Sentada à sua frente perguntei-lhe como estava e ele simplesmente continuou a sua conversa com a sua mulher (minha avó falecida há muitos anos) e dizia-lhe:"espera um pouco estou quase a ir para o pé de ti". - virou-se para mim e perguntou: "então e tu estás feliz?".

Respondi apressadamente que sim, que estava tudo bem atropelando as palavras na esperança ingénua de agarrar aquele breve momento de lucidez e conversar com ele como antigamente fazia.
Ele continuou a conversar com a sua mulher (minha avó) e eu apercebi-me que aquela foi a maneira mais prática, descomplexada e «rente à carne» que ele arranjou para me dizer que aquela seria a nossa última conversa. 

«. Entro numa assoalhada e ouço palavras antigas que foram pronunciadas há um ano ou há uma semana ou há menos tempo. Há palavras que se dizem que nunca mais se apagam.» A queda de um anjo de Afonso Cruz.

Foi bom recordar.
Leiam peço-vos são apenas 12 páginas directas e muito «rentes à carne».
Está disponível on-line.

Saudações encantadas,
Patrícia Almeida